12 de abril de 2010

Existe uma estória que foi construída em torno da dor da

diferença: a criança que se sente não bem igual às outras,

por alguma marca no seu corpo, na maneira de ser...

Esta, eu bem sei, é estória para ser contada também para os pais.

Eles também sentem a dor dentro dos olhos.

Algunsdos diálogos foram tirados da vida real.

Ela lida com algo que dói muito: não é a diferença, em si

mesma, mas o ar de espanto que a criança percebe nos

olhos dos outros [...]

O medo dos olhos dos outros é sentimento universal.

Todos gostaríamos de olhos mansos...

A diferença não é resolvida de forma triunfante, como na

estória do Patinho Feio.

O que muda não é a diferença.

São os olhos...

RUBEM ALVES, 1987

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